Casa de Formação e Convivência Missionária
O ano de 2008 marcou os 10 anos de presença LMC na região de Nova Contagem, mais precisamente no Bairro Ipê Amarelo e Comunidade Eclesial Nossa Senhora Aparecida.É bonito lembrar que em 1997, depois de tempos de sonho, conversas, planejamentos, o Projeto Leigos Missionários Combonianos tornou-se realidade e um primeiro grupo reuniu-se em Petrolândia para o ano de formação e convivência comunitária sob a coordenação do Valdeci e o olhar atento do Pe Pedro Settin. Com o coração e a cabeça na África, não podendo negar nossa raiz comboniana, este primeiro grupo foi iluminado e abençoado por Deus e descobriu o rosto da Missão bem mais perto do que imaginava.
O barraco foi comprado no dia de Santa Terezinha e a primeira comunidade LMC foi entregue a seus cuidados.
E junto a tantas famílias, no inicio de 98, Ana, João e Mara escolheram morar no Ipê Amarelo. A casa estava inacabada ainda, resultado de mutirão e muita solidariedade, porém o inicio do ano tinha sido muito chuvoso... a água era depositada nos tambores e quando chovia o caminhão não descia para o reabastecimento. A primeira reivindicação, das muitas que se seguiram, foi pedir para que se passasse um cascalho nas ruas, para que as famílias não ficassem sem acesso a água, somente três pessoas foram até a Câmara de Vereadores junto com o João. Muitas são as lembranças vividas junto ao povo, período este em que havia grande violência, ameaças, chacinas e mortes diárias. Sofremos junto com o povo a dor pelo falecimento da Ana, em 2001, quando Deus em sua infinita misericórdia nos provou a fé assim como provou e prova a fé de todos aqueles que são por Ele chamados. Muitas com certeza foram também as alegrias, as amizades sinceras colhidas pelo caminho, os gestos de doação e solidariedade.
Outras pessoas passaram por esta casa de Missão do Ipê, como visitantes, moradores de curta ou longa temporada. Deixaram um pouco de si e levaram um pouco do Ipê Amarelo em seus corações.A partir de 2008 esta é nossa casa de Formação e Convivência Missionária. Nossa casa de referência enquanto LMCs do Brasil.
Nos primeiros dias, uma pessoa muito amiga perguntou: Qual é o projeto de vocês aqui? O Ipê mudou muito nestes últimos anos. Estamos fazendo um processo lento, mas bonito de discussão, partilha, e isto mexe com tudo: identificação, buscas, perceber os sinais, mas principalmente nos exige enfrentar o tema Identidade LMC: A que somos chamados? Como leigos e leigas procuramos colaborar a partir da nossa formação específica, trabalhamos, participamos da vida da Igreja e da caminhada do povo. Priorizamos como sinal marcarmos presença em 3 frentes de atuação: a) Crianças e Adolescentes: visando a defesa e promoção da vida junto aos que sofrem grande violência e privações, assim atuamos no Espaço Esperança, colaboramos com à Pastoral da Criança; b) No trabalho de formação e conscientização; c) Na vida eclesial: participando dos espaço de reflexão, formação paroquial. Os Círculos Bíblicos são uma das marcas desta comunidade, possibilitando que façamos uma experiência de encontro pessoal e comunitária com o Deus da Vida.
É para esta realidade que chegam os que ingressam para a etapa de Formação e Vivência Missionária. A comunidade é um elemento essencial na nossa formação e no processo de
discernimento dos que desejam partir além fronteiras, a partir da proposta comboniana. O tripé do ano formativo alicerça-se na Vida de Oração – Vida Comunitária - opção pelos mais Pobres e abandonados. “A proposta de Jesus é que passemos de um amor vivido na reciprocidade e na normalidade para um amor vivido na radicalidade e na gratuidade.”
Com passos lentos e na simplicidade vamos seguindo, esperando de semear esperança, “ser areia na máquina”, ser pequeno sinal, viver nosso chamado missionário. Que Deus inspire e convoque outros leigos e leigas de nossas comunidades a viverem esta experiência de amor Sem Fronteiras.
Cristina Paulek
Coordenadora do Projeto LMC Brasil-Sul