Nestes últimos dias dois acontecimentos marcaram o povo indígena Arara em Rondônia. O primeiro foi a realização do encontro entre os pajés Arara que contou com dois meses de preparação. A comunidade se organizou para pesca e caça,convidaram os parentes da aldeia itârap; prepararam muitamacaloba e comidas tradicionais, fizeram as pinturas,... organizaram a aldeia para receber os convidados, tudo num clima de muita alegria, expectativas e respeito. Quanto a nossa presença, sabíamos que não poderíamos participar de todos os rituais, apenas dos momentos em que eles nos convidassem, no entanto, o mais importante foi viver os momentos de união espiritual, na certeza de que Deus esta presente no meio do seu Povo sempre!
Assim relatou Carlos Mulungu:
“O encontro de pajés, além de ser o momento da gente fazer nossos rituais, ele também é o momento em quea nós reunidos discutmos os nossos direitos”.
E neste sentido o outro acontecimento importante foi a elaboração pela comunidade de um documento para ser encaminhado para o Ministério Público denunciando a precariedade no atendimento a saúde. A situação de uma mulher doente na aldeia era tão grave que organizaram-se e de caminhão foram até a Funasa e o Ministério Público.
“Na Funasa todos ficaram assustados, mais fomos logo dizendo: não viemos para brigar, viemos para reivindicar nosso Direito de ser tratado com respeito! E também não viemos aqui para ouvir justificativas, viemos para exigir mais respeito no tratamento com nossos parentes! “ Depois de muita luta a doente foi atendida!
Para nós que acompanhamos esta caminhada do povo, fica forte que o sagrado caminha lado a lado na luta pelo Direito e a justiça, a ação libertadora anima, alimenta, fortalece a fé e vice versa. Sinto forte que: ”A fé fortalece as obras, sem as obras a fé esta completamente morta.” (Tiago 2,14-16)
Rose Mary Cândido, LMC
Ouro Preto do Oeste - RO